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.virar.a.

Vamos nos conhecer, assim, despretensiosamente. Uma troca de olhares e, numa conversa, nos envolver. Meu pensamento vai começar a ser permeado por você.

Aí? Virá a saudade.

O tempo vai passar e, naturalmente, você vai fazer parte do meu dia. Talvez não tanto quanto eu queria que fizesse, mas estará lá. No pensamento.

Aí? Virá a saudade.

Me envolverei pelas suas qualidades, pelas suas atitudes. Aprenderei a gostar até dos seus defeitos. Das suas amizades. Da sua influência.

Aí? Virá a saudade.

Talvez demore uma semana, talvez demore um mês. Certamente virá o nosso primeiro encontro. Uma conversa, uma longa conversa. Lágrimas, muitas delas. Mágoas do passado lembradas, medos do presente às cruas e nuas.

Aí? Virá a saudade.

Outra semana passará e acabaremos nos descobrindo. Será assim. Sem esperar, nosso primeiro beijo. Não será cinematográfico, mas talvez seja durante um filme. Entre Reis e Rainhas. Entre discursos, mãos. Entre toques e olhares. Me deixarei levar por um olhar, mas os olhos não mais estarão abertos ao tocar seus lábios. E o tempo, que já era relativo, vai voar quando os lábios se separarem.

Aí? Virá a saudade.

A despedida terá durado segundos. Os segundos que meu olhar seguirá o seu, por cima dos ombros.

Aí? Virá a saudade.

Serão intermináveis as horas de conversa. Serão infinitas as mensagens apaixonadas. Apaixonadas, sim. Paixão que durará mais do que se sonha. Paixão que, meses a fio, vai se transformar em amor. Em um corpo só. Em um laço. Uma aliança.

Aí? Virá a saudade.

O tempo, novamente, vai passar impiedoso. Alegrias virão, tristezas serão inevitáveis. Você será meu maior, melhor e único amigo. Será meu companheiro e confidente. Você vai se distanciar, e vamos nos perder como numa espiral. Farei o impossível pra te trazer pra perto, mas você não mais quererá minha presença.

Aí? Virá a saudade.

O que era amor, vai virar uma grande dúvida. E a dúvida, uma certeza: eu não me apaixonei por você. Ainda que seja minha verdade e certeza, você deixará de acreditar. E seguiremos caminhos diferentes, quando outros lábios tocarem os seus.

Aí? Virá a saudade.

As mágoas farão com que nunca mais queira ouvir seu nome. A tristeza ocupará meu coração, de uma vez só. Subitamente. Impiedosa. Onde antes só havia amor, amor verdadeiro e incondicional, o vazio.

Aí? Virá a saudade.

Meses se passarão. Você vai se envolver com outra pessoa. Outras pessoas. Vou me fechar. Vou me isolar.

Aí? Virá a saudade.

Um ano, exatamente, se passará. E, assim, despretensiosamente, vou te encontrar de novo. Num olhar. Um silêncio. O fôlego esvair-se-á. Durará não mais que dez segundos. Não mais que 27 palavras.

Aí? Virá a saudade.

…virará saudade.

(…)

Publicado em.vida.poética.

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