Engraçado como me bate a inspiração de sentar ao notebook e postar alguma coisa sempre que vejo ou ouço algo inspirador.
Poderia simplesmente engolir o entusiasmo e peidar alegremente seguindo a vida em frente, mas não. Eu venho até aqui compartilhar com a meia dúzia de pessoas que ainda lêem este blog.
Hoje voltei a falar com um velho amigo. Uma pessoa que julguei não querer mais falar comigo.
Diferente daquele outro amigo que me disse “que nossa amizade não significava mais nada pra ele, por isso se afastou“, este, não. Este entendeu que a vida, às vezes, nos carrega por caminhos muito diferentes do que pensamos ou planejamos.
Nem sempre podemos escrever nossa história. Eventualmente, somos obrigados a deixar que “forças” a escrevam. Forças da natureza, forças sobrenaturais. Que sejam.
E as pessoas que conhecemos? Será que continuam suas histórias de vida quando fechamos a tampa do notebook?
Quem nunca se perguntou, ao menos uma vez na vida, se algum conhecido do mundo virtual seria real? Alguém do outro lado da linha telefônica. Alguém além dos limites das páginas dos jornais.
Não é estranho que todos os livros tenham as páginas escritas na mesma diagramação, no mesmo sentido, na mesma ordem? Eu acho isso uma prova de que posso, sim, estar sozinho e ser esquizofrênico, achando que outras pessoas existem.
Quando vou à livraria, procuro sempre pelo livro com a impressão de capa diferente. Com algum defeito. Com as letras tortas. Com a margem extravasada. Com uma página dobrada esporadicamente. E ponho-me a pensar…
Por que será que este livro, em meio a tantos outros, é diferente? Qual a história dessa diferença? O que pode ter causado tamanha diferença? E crio, inconscientemente, uma história em cima da história. Personagens, vidas, sons, cheiros. Tudo. Tudo pode ter conspirado numa maravilhosa orquestra de coincidências para que aquela diferença possa existir. Um simples defeito? Talvez. E me ponho, então, a pensar o que teria causado o defeito. Um desgaste? Má operação? Quem seria o culpado e o que fazia naquele exato momento?
Assim é a vida. As pequenas diferenças e os pequenos detalhes que muitos abstraem ou deixam de enxergar, fazem as histórias de tudo que existe. As histórias imperfeitas, por sua vez, entrelaçam-se numa maravilhosa e interminável teia de acasos que se espalha no infinito do tempo, como se houvesse lã suficiente apenas no novelo da eternidade.
E as pessoas? Aquelas que eu acho que são fruto da minha imaginação?
Elas fazem parte dessa teia. São pequenas bolinhas de lã que se formam, cada uma com seu jeitinho único.
E…
As pessoas podem não existir. Esse meu amigo que não quer mais minha amizade pode não existir. Pode não ser nada além da minha imaginação….
…mas como é belo imaginar e acreditar naquilo que se imagina.

inspirado… desaposentou?