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.como.uma.pena.

Sublime, como uma pena. Assim seria a queda.
Silenciosa, também. Deveras ligeira, creio, face às diferenças no referencial de peso e gravidade. Dois ou três piscares de olhos, contra voltas e voltas ao vento.
Por ínfimios segundos, sentir este mesmo vento envolvendo cada milímetro do corpo; tocando cada pelo, pele nua. Gélido como o futuro anunciado. Úmido, como suor no rosto calado.
A vida esquecida frente aos olhos, encarando o tempo que já não tem mais volta. Olhares fitam, vagos, um girar repentino e, de repente, somente nuvens enegrecidas – e não mais concreto.
De um impacto, a certeza. Pedaços de vidro tilintam à volta.
O fim.
Seria doloroso? Qual a duração de um segundo, quando este há de ser eterno? Referenciais.
A diferença entre a vida e a morte é tão sublime quanto a semelhança entre uma pena e um corpo.
E, da janela estilhaçada, um bilhete alça vôo ao vento. Atingido pela chuva repentina, perde-se para sempre. Sem delongas, sem explicações. Uma lacuna aos que ficam.
Aos que ficam…

 

 

Publicado em.vida.poética.

Um Comentário

  1. tiago tiago

    Afinal, certezas, ninguém tem nenhuma. A única que existe é a de que um dia a gente parte também.

    E se a vida continua depois? Pros que ficam sim. Pros que partem…
    Quem há de saber…?

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