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Se todos os dias se repetissem e, no repeteco, começassem pelo fim, seriam fantásticos, não seriam, leitor?
Ah, foda-se se você não acha. Pare de ler aqui, então.
Se você continuou, é por que concorda.
Os dias seriam algo como uma retrospectiva, onde a gente poderia escolher o que quer viver de novo. Seria muito bom ter o controle do destino. Tá chato, pula. Muda de canal. Escolhe outro pedaço pra viver. Algo como no filme “Click”, mas não tão besta como o jeito que ele usa o controle. Aliás, chorei no final desse filme. No final, por que o resto é um saco.
Ah, foda-se se você não acha. Pare de ler aqui, então.
Se você continuou, é por que concorda.
Não é uma boa, ter um controle do tempo? Pausar a vida, sabendo o que vem pela frente. Aliás, por trás, por que, como eu disse, o “replay” do dia seria vivido de trás pra frente. Quem não escolheria pular o pedaço do dia em que quebramos um vaso? Que uma pessoa chata lembra de você? Que você descobre que tem uma doença terminal?
Ah, foda-se se você não acha. Pare de ler aqui, então.
Se você continuou, é por que concorda.
Abrir os olhos pela noite, bocejar de sono, ver a novela, jantar coisas gostosas em casa, enquando o jornal vai dizendo o que ainda vai acontecer no dia. Voltar pro trabalho sabendo que o pior já passou e tudo que vem pela frente é só relax. Almoçar correndo por que não faz diferença mesmo. Trabalhar mais um pouco e ter a certeza que vai chegar em casa morto de sono, por que teria acabado de acordar pela manhã, tomar um banho e capotar, morrendo de sono por que já estava dormindo.
Ah, foda-se se você não acha. Pare de ler aqui, então.
Se você continuou, é por que concorda.
Já pensou, leitor? Começar pelo fim do dia?
Teríamos um dia zuado para ser recompensado no dia seguinte. Sem dúvidas. Sem medo de viver. Fantástico, não?
Não.
Nem eu mesmo concordo.
Devia ter parado o post quando comecei. Ou antes de terminar. Foda-se, eu.
Amanhã começa pela manhã. E acaba à noite.
Just like every breath…

Publicado em.vida.cotidiana.

2 Comentários

  1. Tiako Tiako

    AHHAUIhiuahuihaa

    Adorei! Eu até tava me convencendo de começar o dia de trás pra frente, mas seu “every breath” me lembrou que recordar é viver; repetir, não.

    =)

  2. A graça de viver não existiria, ou talvez, somente por uma vez…reviver momentos, será que o que os fazem serrealmente bons não seria justamente o fato de serem vividos exclusivamente por uma única vez?
    Sei que não sou ninguém pra questionar os dilemas humanos, sei que pensamos demais…

    “Just like every breath…”

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