Quanto tempo uma pessoa espera pela outra?
Sejamos realistas.
Um sorvete? Um chiclete sem gosto? Meia hora? Quanto tempo existe entre o “vou atrasar” e o “não me espere”?
Algumas pessoas realmente entram na nossa vida pelo momento, para nos fazer enxergar um pouco além de nós mesmos.
Ficar uma hora esperando, sentado, por alguém que jamais apareceu e não vai aparecer, é algo bastante utópico, eu diria.
Quem, nesse mundo, seria capaz de ver tantas coisas belas como as que eu vi hoje, ao ter minha amizade subestimada?
Eu vi flores no chão do caminho, mais roxas que os doces roxos doces de batata doce da vovó. Eu vi pessoas passando apressadas em seus pensamentos incansáveis que pareciam sempre à frente de seus olhos. Eu vi, nos olhos do vigia, a felicidade de um ‘boa tarde’ vindo deste estranho que vos escreve. Eu vi cães entediados em seu tédio sem escolha. Eu vi gatos passeando sobre os telhados das mansões que ostentam a inveja dos que apreciam. Eu vi papéis perdidos. Quem os teria perdido? Seria proposital estarem no meio da rua? Eu vi raios de sol por entre copas de altos eucaliptos. Eu vi prédios tocando o vazio acima de minha cabeça. Eu vi pássaros que desafiavam a chamada lei da gravidade, que, de lei não tem nada. Desafiei a lei e pulei de quadrado em quadrado. Andei na linha. Andei fora da linha. Eu li placas gastas pela natureza. Eu vi ferrugem onde havia ferro. Eu vi musgo onde havia concreto. Eu vi pedaços de galhos entre rachaduras na rua. Como eles puderam se encaixar tão perfeitamente naquele espaço? Será que o espaço e o galho cresceram juntos, um para selar a morte do outro? Um à sombra do outro. À sombra de uma vida.
Será que Romeu esperaria Julieta se Julieta não lhe encontrasse às sombras da sacristia?
Será que o veneno que selou o destino de Romeu era roxo como as flores da rua? Será que as pessoas realmente são destinadas às outras ou simplesmente se encaixam como gravetos nas rachaduras do asfalto?
São coisas que passaram pela minha cabeça quando vi o sol se por, em sua magnitude alaranjada, no horizonte ainda não coberto pelos arranha-céus dos homens que arranham seus universos particulares.
Arranham os céus, mas não cegam o sol.
Ainda que eu não veja mais o sol (por não querer ver o sol), ele brilha.
Anão, branco, quente, imponentemente solitário.
…pois a solidão é a única coisa que conforta e aquece o coração dos esquecidos.
E que venha o inverno.

porque nao coloca mais coisas bonitas aqui em. 😡