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.entre.estrelas.

Era uma vez um menino que morava numa praia. Na praia mesmo, bem ali, na areia – onde as ondas molhavam os pés, à noite. Toda noite esse menino pegava seu pequeno barquinho e remava sem rumo, em direção mar aberto.
No mais absoluto escuro, adorava olhar as estrelas nas ondas. Achava lindo o brilho das estrelas, rumo ao infinito, como num imenso campo de pequenas luzes brilhantes.
Esse menino tinha um sonho. Era um sonho bobo, mas que o menino tinha.
Sonhava em, numa noite bem, beeeem estrelada, mergulhar o mais fundo que pudesse pra tocar o fundo do mar.
Ele tinha certeza absoluta que se prendesse bem a respiração, ia conseguir. Tinha certeza que era lá do fundo que as estrelas vinham. Era de lá que nasciam as pequenas luzes que via brilhar ao balanço das ondas.
Assim o fez.
Pegou seu pequeno barquinho, seus remos pesados e remou. Remou, remou. O barquinho já dava sinais de cansaço enquanto o menino remava sem parar. Quando só se ouvia as ondas e estas não mais balançavam, o menino jogou uma âncora numa corda compriiiiida, presa à proa do barquinho.
Será que a corda chega até o fundo? – questionou-se. Não sabia.
Parou por um instante de pensar na vida e permitiu-se apenas admirar as infinitas brilhantes luzes que lhe convidavam.
Num ímpeto de sonhar, respirou fundo. O mais fundo que seus pequenos pulmões aguentaram e pulou.
Tentou, ainda assustado pelo frio que fazia, guiar-se pela corda da âncora, mas desistiu de seguir o caminho. Foi cada vez mais fundo, mais fundo… e adormeceu à escuridão de não mais sonhar.

…à deriva, ficou o solitário barquinho. De nada lhe serviam remos, se o rumo dos sonhos do menino era alcançar o que jamais podia!

De nada lhe serviram os sonhos, quando, à deriva, as estrelas sumiram à luz do amanhecer…

Publicado em.vida.poética.

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