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.49.minutos.

Quarenta e nove minutos para fechar um mês que postei o último post. Credo, postei o último post. Meu celular avisa bateria fraca, Big Brother começa na Globo, Gloria Estefan “Cherchez La Femme” meus ouvidos, ventilador estala ao virar pra direita, a luz do abajour denuncia o pó acumulado na tela do notebook, meu tríceps esquerdo tremula por estar suspenso acima do que deveria para escrever, Bruno me deixou falando sozinho no MSN, Babi com dor de cabeça me preocupa, André fez uma piada ‘miau’ito engraçadinha, o calor me faz transpirar pelo suvaco, meu pé direito ainda dói, sinto saudades de quem me respondeu à SMS de maneira seca, começa “It’s Too Late” e sinto que é tarde demais pra sentir tudo isso. Now it’s too late, ‘thou we really did try to make it. Something inside you died and I just can’t fake it. No, no, no. Sinto-me pateticamente reduzido a nada. Nada que preocupe, nada que faça falta pra alguém. Se eu morrer amanhã, vou deixar saudades pra alguém? Vou passar a fazer diferença pra alguém? I think not. It’s too late, babe, now it’s too late. Agora falta, e não faltam, 42 minutos. Não escrevo, vomito. Vomito o que não queria dizer, o que me resta. O que resta de mim? Não resta. Não tenho mais por quem dizer boa noite, nenhuma noite tem sido boa. Meus pais não dizem mais boa noite como antes, apenas apagam as luzes e desligam a televisão. Ninguém mais se abraça e dá beijo de bons sonhos. Por que tudo isso mudou? Não sei. Não foi por que crescemos, isso não é crescer. Isso é morrer like a faded photograph. Good night, my love, pleasant dreams, my love, may tomorrow be sunny and bright, diz Gloria agora. Grande bosta, Marcelo, cala a boca. Pra que dizer tudo isso? Pra que se expor dessa maneira? Bah. Como se fosse mudar muita coisa. Apenas não quero dormir para acordar amanhã, embora precise. Embora precise trabalhar para ganhar menos do que mereço para fazer mais do que deveria, preciso acordar cedo e fazer o melhor. Queria sumir. Não sou mais o mesmo babaca de antes. Não corro mais por nada nem ninguém. E Bruno lembrou que ainda estou no MSN. Só pra dizer que vai dormir? Ok, eu tb. Mentira, ainda vou ficar muito tempo me martirizando nessa merda. Ainda vou esperar o CD acabar, o BBB eliminar alguém, o calor me consumir, o pedaço de pizza descer, guardar a garrafa de Coca na geladeira, escovar os dentes. E o celular morreu. Desligou-se, graças! Não preciso mais esperar pela SMS que não virá. Eu sei que não virá. Por que viria? Quem eu queria que mandasse, já não se importa com isso e sequer sabe que eu estou me sentindo um lixo. Por que o André não faz outra piada? Quando preciso rir, me sinto sozinho. Sinto que preciso de mim mesmo e se me fechar, vai ser de vez. Indeterminadamente atemporal. E quem se importa? Ninguém. Quem se importaria? No final, tudo é descartável mesmo. Don’t let the sun go down on me, oh no no no. Ou let, que diferença faz? Eu não quero fazer nenhuma. Boa noite, Bruno, bons sonhos. E que ironia? Hold me, hold me, never let me go until you told me what I want to know. E a conversa foi boa, mas… Sempre tem um mas. E nunca é dito, na verdade. Mas é como um não. Dizê-lo é como deixar implícito que nada valeu. Cada ‘mas’ é como um ‘grande bosta’. E, novamente, me encontro sem fazer diferença nenhuma. Bons sonhos, durma bem, viu? Se cuida e um bom dia amanhã. Quem se importa? Quem se importou? Eu. Eu, eu, eu. Sempre eu. Sempre eu, por que ninguém mais haveria de se importar. A Babi me chama no MSN. Decido, simples. Faça. Não pense em nada. Pensar faz isso. Vomitar. Me dá ânsia. Não quero mais pensar. Não quero mais esperar, não quero mais deixar de lado. Conselho? FAÇA. Faça tudo que aparecer na sua frente. Eu faço. Eu to fazendo. Eu vou fazer. EU, eu, eu. E o CD recomeçou e eu não fui dormir. E nada me faz tirar da cabeça que tudo isso é inútil. Tudo perdeu o sentido quando você foi, quando você levou consigo meu “novo eu” e me deixou só aos restos. Aos restos. E falta 25 minutos para a meia noite. Meia, incompleta. Se meia noite marca a metade da noite num dia de 12 horas, a noite começa às 18h. Bela bosta. Chega, boa noite.

Publicado em.vida.cotidiana.

2 Comentários

  1. andré andré

    pó parar! vc sabe muito bem que eu me importo com você e com tudo o que acontece por aí, vc tá aqui no meu coração e sempre pode contar comigo pra te fazer rir quando precisar haha

    seu lindo fofo!

  2. Anônimo Anônimo

    Nos seus posts fica visível seu tédio e ócio. Pq se lamenta tanto? Corra o mundo, veja pessoas e ouça o que elas tem a te dizer, e o que elas tem a te ensinar, respire o ar da liberdade e fraternidade! Embora não acredite,(e talvez não queira) viva, isso e somente isso te fará sentir vivo!

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